domingo, 22 de março de 2009

“BRAIN STORM ... / ... TEMPEST”
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Semana marcada pela partilha das diferentes pesquisas/procuras subjacentes ou adjacentes às leituras e sub-leituras da obra, A Tempestade, salientando diferentes conceitos abstractos ou mais figurativos, a partir dos quais foram propostas diversas acções / improvisações / jogos teatrais a desenvolver e experimentar no decorrer da próxima semana.

Conceitos / ideias surgidas com frequência: poder; deter; confusão; orquestrar; escravidão; encontrar - perder; calculismo; cozinhar; repetição; construir - destruir; manipular; ritual; jogar; delimitação; coreografar; segredo; molhados; loucura; ficção – espectáculo; domínio; despedida; nobreza; egoísmo – altruísmo; naufrago; banquete; impossibilidade; viagem; ansiedade; chegar – partir – repetir; urgência; etc.
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“OLHARES DRAMATÚRGICOS”
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Terceira semana de trabalho: Leitura formal da obra, “A Tempestade”, de William Shakespeare; análise textual sobre o ponto de vista das personagens e a sua representação singular na comunidade inserida; visionamento e discussão de vídeos e textos complementares de modo a dissecar um ambiente de percepção colectivo.

Pontos de vista dramatúgicos

Nesta peça de Shakespeare encontram-se duas leituras que predominam sobre todas as outras, são elas:
- Próspero como o poeta, o criador de mundos fantásticos, o alter-ego de Shakespeare que, sendo esta a sua última peça, se despede do teatro e do mundo. Segundo esta leitura, o dramaturgo espelha a sua des-ilusão. A ilha/mundo onde ele ensaia a história do Homem.
Toda a sua obra marcada por uma luta pelo poder finda aqui, e as impossibilidades de compreender o porquê de todas as intrigas ou o eterno retorno do homem que se repete nos seus erros, é retratado como a única coisa tão certa como a morte.
- A outra possibilidade de leitura surge às portas do século XX com o materialismo histórico de Marx. “A exploração do homem pelo homem.” Esta abordagem refere-se ao colonialismo. Próspero ocupa uma ilha e retira a Calibã, legítimo herdeiro daquela ilha, o que é seu por direito.
Próspero, que havia sido destituído do seu ducado em Milão, é agora o que depõe um príncipe.
Em A Tempestade assiste-se, como escreve Kermode, a uma «relação entre o animal, o humano e o intelectual.» Cada um destes elementos pode ser distribuído por personagens mas é a transversalidade dessa relação que eleva a poesia. O acto criativo surge como uma tentativa de redenção perante a impossibilidade de mudar o mundo. Nessa constatação, o poeta, volta-se para a vida e, talvez, através de Fernando e Miranda encontre a beleza e esperança na humanidade.
Quando Próspero se desfaz do seu manto mágico que lhe dá o poder, diz-nos (Shakespeare) que essa é realidade, nada o poderá suster fora do mundo para sempre, por mais que tente viver fora dele é parte integrante do mesmo.

Bibliografia: SHAKESPEARE, William, 1623, A Tempestade, trad. Fátima Vieira, Porto: Campo das Letras, 2001

Outras pesquisas: Prospero´s Books de Greenaway, Dead Men de Jarmusch, William Blake, Utopia de Thomas More, Hieronymus Bosch.

"UM ESPECTÁCULO PODE SER UMA ACÇÃO SÓ"
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Segunda semana de trabalho: continuámos à procura duma gramática para levar a cena A Tempestade. Através de exercícios livres propostos pelo Francisco, explora-se o espaço a dois corpos num jogo de diálogo “observar/escutar – responder/reagir”, desta vez com recurso a objectos presentes na sala.
Os alunos de Design de Cena estiveram presentes para tirar as medidas aos actores. Esta semana também houve lugar para a apresentação de pequenas partituras, em que os alunos colocaram frases à sua escolha nas acções por eles trabalhadas a pares. O resultado foi muito diverso e levou a que, em conjunto, se questionasse o método que iremos adoptar: criar sem um significado prévio ou óbvio. Primeiro, há-que procurar acções que sirvam os sentidos do texto, e só depois se tentará encontrar zonas de contacto dos movimentos com o texto de Shakespeare, modelando e adaptando cada um conforme nos pareça mais interessante.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

"METODOLOGIA DE TRABALHO E O PROCESSO CRIATIVO"
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Primeira semana de trabalho: Apresentação da metodologia de trabalho / criação proposta.
No decorrer destas duas semanas pretende-se explorar e procurar diferentes possibilidades do processo criativo de modo a criar uma gramática de entendimento colectivo, através da análise e pesquisa de palavras e / ou frases ressonantes, conceitos formais e conceptuais provenientes ou não, de acções teatrais.
Pretende-se criar uma linguagem de interacção tridimensional cuja génese não se limite à habitual relação subserviente, abrindo assim, a atmosfera das diferentes áreas de diálogo das artes performativas como o teatro, a dança, o circo, a ópera, a performance, entre outras.
Desta forma, o objectivo da metodologia proposta assenta na procura da transformação de diversos conceitos em determinado espaço / tempo, em realidades manipuláveis, palpáveis e concretas. Interagindo (in)conscientemente de diversas formas com o espaço, tempo, corpo singular, corpo plural, objectos, volumes, luz, sons/texto, etc. , de modo a criar teatralmente acções interessantes e imaginativas com leituras de significados singulares ou plurais.
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"APRESENTAÇÃO / ENUNCIADO"
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Na sequência do trabalho do semestre anterior, pretende-se que os alunos se confrontem com um conjunto de textos cujo sedimento cultural é património comum da prática teatral do Ocidente.
Pretende-se que os alunos façam um percurso comparativo entre épocas, géneros teatrais e métodos de trabalho diversificados, que lhes permitam ter, por um lado uma percepção mais clara sobre as diferentes poéticas subjacentes, e, por outro o confronto com as diferentes propostas de trabalho dos professores responsáveis pelos respectivos módulos.
Pretende-se que os alunos adquiram e consolidem um saber teórico-prático que tenha uma expressão significativa na qualidade da sua interpretação. Assim, os alunos deverão aprofundar um conjunto de técnicas interpretativas, que lhes permitam enriquecer o léxico indispensável ao trabalho do actor.

Programa
O 2º módulo do 2º ano é dedicado ao trabalho sobre o Teatro Clássico sendo que o autor escolhido para a turma B foi William Shakespeare (1564-1616), pela representatividade das suas obras.
Shakespeare determinou as práticas do teatro europeu, através de uma obra diversificada e heterogénea, cânone do teatro ocidental.
O trabalho com os alunos será desenvolvido através de quatro linhas de força fundamentais:
1. Análise dramatúrgica dos textos a trabalhar, tendo em consideração o seu enquadramento histórico e cénico.
2. Trabalho de elocução sobre o material proposto, partindo das noções de ritmo e musicalidade inerentes à riqueza da linguagem do autor.
3. Trabalho de improvisação na procura da criação de um universo dramatúrgico e de uma gramática comum ao grupo.
4. Trabalho de aprofundamento técnico e artístico, a partir das noções de rigor, eficácia cénica e comunicação.
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